June 12, 2006

12 de Junho, um dia depois de dia I - In Illo Tempore pt. 6

A lentidão deste Metro, atinge hoje, mais do que nunca, valores incomensuráveis. Parece que estamos parados entre duas estações e nada deixa antever quando chegaremos à seguinte.

O aniversário foi ontem. Dois anos... Quem diria que dois anos depois estaríamos aqui. Demos as mãos e caminhámos lentamente. O percurso que percorremos não foi, por vezes, o mais fácil. E foi a dificuldade que tivemos em enfrentar alguns desafios, e em vencer algumas batalhas, que nos tornou mais lentos. Por isso se justifica a comemoração do segundo aniversário d’O Metro Que Não Passou se faça hoje, um dia depois da data comemorada. Porque o dia seguinte é sempre importante...

12 de Junho, um dia depois de dia I - In Illo Tempore pt. 5

O metro que não passou fez ontem dois anos de existência. O metro que não passa, passou este ano mais lento. É coerente comemorar, pois, hoje e só hoje, o dia do seu aniversário.



E não há muito para dizer nestas ocasiões. Talvez ser um pouco mais poético no futuro, talvez um pouco mais objectivo... talvez mais regular...

June 06, 2006

Os Rigores do Verão

O calor que faz lá fora deixa-me entorpecida. A moleza que me invade faz-me desejar os dias de Outono de que tanto gosto. As folhas secas no chão, que piso para ouvir estalar. O vento fresco que começa a despentear-me os cabelos e que anuncia a chegada do tempo frio, já com cheirinho a Natal.
Mas ainda falta tanto para o Outono...

June 03, 2006

Come June II

E as janelas abrem-se, deixando entrar o calor abrasador que nos aquece o corpo e faz desejar a brisa. Aquela, tão especial e fresca, que corre ainda nos últimos dias de Primavera e começa a correr nos primeiros de Outono.
Junho é mês decisivo. Sempre foi.
Os dias maiores fazem perdurar a luz, a claridade, de que tanto gostamos. E as palavras vão chegando, escondidas, no vai e vem das primeiras ondas que nos molham os pés. Já não é só o andar que nos parece metafórico...
E os dias dão lugar às noites...

Come June

Junho é diferente a cada dia. Claro, mais claro...
às vezes tão leve que ao andar, o andar parece-me metafórico. Mesmo o fogo que entorpece ou torna as escadas infinitas finge existir para que saibamos o que é a brisa, depois de abertas as janelas.

June 02, 2006

Timor.
Fala-se muito.
Faz-se muito pouco.
Enviam-se GNR’s.
Apoia-se uma das partes.
Não estamos lá.
Não sabemos quem tem razão.
E se a razão está do lado dos que se revoltaram?
Não sabemos...
E vamos julgando os revoltosos na comunicação social, como se fossem criminosos.
Não será a revolta um direito legítimo dos insatisfeitos?
Não foi uma revolta, seguida de uma revolução, que nos concedeu a prerrogativa de escrever estas palavras, e outras, a nosso belo prazer?
Pensemos nisto...

May 31, 2006

O murmurio inconsequente

Não é tempo para heróis. Não é tempo para planos. A vida atrás de quem salve a vida e planos que se inscrevem em livros, sempre perfeitos, sempre por fazer... de nada serve. Um longínquo murmúrio ecoa pelos dias. E não se sabe o que fazer dele.
Para quê a vergonha quando tudo é tão indistintamente igual? Podemos atravessar cada momento sem olhar para a esquerda ou para a direita, porque bem posso estar deitado no passeio ou no meio da estrada. 

Não é tempo de pragmática porque não se sabe no que se pensou, apenas o que se fez sem se pensar. E é sempre tarde demais para o futuro quando passamos a vida a fugir ao silêncio. O murmúrio ensurdece, é o trabalho, são as pessoas, são os carros nas estradas e as pessoas em casa cozinhando, pondo a lume quão política é a vida de cada um, para logo extinguir a chama, extinguir tudo que chama a atenção. O barulho ajuda a não pensar. 

Cada um, quase sem pensar, espera pelos próximos, planos, heróis, dias, noites, meses, salários. E sabendo a futilidade deste intervalo, respira fundo e põe a comida na mesa. 

May 25, 2006

Haja vergonha!!!

Este país está virado de cabeça para baixo. Muito se fala e tudo se critica. Mas e soluções? Onde andam? Se calhar passámos por elas na rua e não lhes ligámos nenhuma. Somos um povo de insatisfeitos que só sabe falar mal, mas que não tem a coragem suficiente para levantar a voz e impor a sua vontade!

Cultivamos a ignorância dos que pouco sabem, porque assim não são um perigo para os poderosos! Afinal, os maiores inimigos de quem está no poder são aqueles que sabem pensar, que têm ideias, que querem mudar o que está mal! A corja que governa este país deixa-me envergonhada! Haja vergonha senhores governantes. Dêem a cara e expliquem a quem não percebe o verdadeiro estado da Nação! Isto se forem suficientemente decentes e honestos para isso!!!

De volta!!!

Há muito tempo que aqui não vinha! Desaparecida? Sim, andei! Por vontade própria, ou por falta de vontade, nem sei. Mas sentia-me uma intrusa na minha própria casa, nesta casa que tenho tanto orgulho de partilhar com uma das pessoas mais fabulosas e inteligentes que conheço. Sim, sou uma privilegiada por poder partilhar este espaço com o Culpado in Contrahendo.

A vida, muitas vezes, leva-nos para longe de nós e faz-nos duvidar de quase tudo. E eu tenho duvidado muito. Até de mim mesma. Mas ultrapassadas as dúvidas cá estou eu de volta ao “conforto do lar”!!!

May 12, 2006

É difícil olhar alguém nos olhos. Reparo que só digo monossílabos e olho o tapete. Primeiro vejo apenas, depois observo. Uma grande águia se espraia sob o azul... recorda-me quem eu não sou. De certo a minha postura irrita e isso sente-se na sua voz, desdém mitigado pelo meu currículo.
Simulo uma fúria, levanto a cabeça e digo o que quero, o que ensaiara em casa, mas esqueçera na sala de espera. Sinto as costas da cadeira, contraponho, argumento: eu reconheço o jogo, lembra a faculdade e os momentos mas difíceis.
No fim, um aperto de mão e as frases protocolares. Depois de fechar a porta, fico um pouco quieto, sem reparar na secretária que me diz qualquer coisa que não ouço. Recomposto, respondo quando repete a pergunta e despeço-me. "Acho que vai ficar com o emprego." Obrigado. Boa tarde, digo uma vez mais.